Encontro em três versos – SESC Santo André – Maio de 2014

As crianças dizendo sim, o acordeonzinho com vida própria, a experiência de recriar a cada instante um trabalho nascido em 2006, a percepção do tempo vivido, de experiência no corpo e conexão com parceiro de cena, a sonoplastia que encanta, a busca da leveza e da comunicação direta.

Um presente, dança de cura, encontro concreto.

ENCONTRO EM TRÊS VERSOS – Dança, poética haicai, poesia sonora

Luciana Bortoletto – dança, poemas partilhados (haicais), acordeon

Jorge Peña  – performance poético-sonora

Essa performance foi criada em 2006 como fruto de uma parceria que explora a poética haicai, a dança e a sonoplastia como elementos que constituem uma dramaturgia do encontro. Ao sortear um poema, uma pessoa recebe uma pequena dança e uma sonoplastia exclusiva pra ela.
https://lucianabortoletto.wordpress.com

Agenda 2014

Solo de Rua no Centro Cultural São Paulo

de 11 a 13/4 – sexta a domingo – às 17h

Dança ao redor: Performances

concepção, pesquisa e figurino: …AVOA! Núcleo Artístico – criação e interpretação: Luciana Bortoletto – pesquisa e ambientação sonora: Mauricio Verderame
Pesquisa e ambientação sonora: Mauricio VerderameCriação coreográfica concebida especificamente para espaços públicos que explora relações poéticas entre corpo, plástico, território urbano e inspira-se livremente no manifesto As embalagens, do encenador e artista plástico polonês Tadeusz Kantor (1915-1990). A partir da observação dos movimentos e do comportamento de pessoas em situação de rua, ao se embalarem ou se vestirem com materiais descartados, surgiram questões sobre deformação do corpo, “coisificação” do ser humano e precariedade.
Entrada franca – sem necessidade de retirada de ingressos
Áreas de convivência

foto: ALEX HERMES
foto: ALEX HERMES – Bienal SESC de Dança 2013

SOLO DE RUA
Release
Criação coreográfica concebida especificamente para espaços públicos que explora relações poéticas entre corpo, plástico, território urbano e inspira-se livremente no manifesto “As embalagens” do encenador e artista plástico polonês Tadeusz Kantor (1915-1990). A partir da observação dos movimentos e comportamento de pessoas em situação de rua ao se embalarem ou se vestirem com materiais descartados, surgiram questões sobre deformação do corpo, “coisificação” do ser humano e precariedade.

 

Currículo Resumido – Solo de Rua
Solo de Rua é uma performance coreográfica criada em 2012 por Luciana Bortoletto (…AVOA! Núcleo Artístico) em parceria com o músico Maurício Verderame. Integrou a programação da 7ª e 8ª Edição do Festival Internacional Visões Urbanas, com apresentações em São Paulo, em Maceió-AL e Porto-PT. Participou da Bienal SESC de Dança – 2013 e recebeu o 1º Prêmio Denilto Gomes, na categoria “Criação em dança solo de rua”. Em 2013, o Solo de Rua conta com o apoio da 14º Edição do Programa de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo como parte do Projeto “Corpo Poético, Corpo Político” desenvolvido pelo …AVOA! Núcleo Artístico para manutenção de pesquisa acerca da dança criada para espaços públicos.
Ficha Técnica – Solo de Rua
Concepção e pesquisa: …AVOA!Núcleo Artístico
Criação e interpretação: Luciana Bortoletto
Pesquisa e ambientação sonora: Mauricio Verderame
Figurinos: …AVOA! Núcleo Artístico
Registro Fotográfico: Gil Grossi
Duração: 40 minutos

 

Pequeno depoimento e algumas imagens do encontro com Yoshito Ohno no SImpósio Corpolítico, em Ouro Preto – MG

http://corpodancarevolucao.wordpress.com/2013/03/16/corpolitico-corpo-e-politica-nas-artes-da-presenca-ouro-pretomg/

Tive conhecimento a respeito do Simpósio “Corpolítico: Corpo e Política nas Artes da Presença”, realizado pelo grupo de Pesquisa CNPQ Híbrida e Curso de ARtes Cênicas da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), dias antes do início do evento. O simpósio promoveu encontros entre estudantes de artes, docentes, artistas e pesquisadores convidados para uma série de debates acerca o tema, com enfoque para a Dança, a Performance, o Teatro. Ao tomar conhecimento, soube da presença de Yoshito Ohno (filho de Kasuo Ohno e último representante vivo da 1º geração do Butoh). Ele daria um workshop e integraria uma mesa temática sobre Dança e Política.

Inscrição. Seleção. Resultado. Confirmação. Viagem.

Uma sensação absolutamente única de ser premiada, de ganhar um presente e a responsabilidade de aproveitar ao máximo cada uma das reflexões coletivas e do encontro com um mestre que remete a um sopro sobre o orvalho: suave, aquecido e capaz de derrubar as gotas de orvalho de cima da folhagem, transformando o espaço com sua presença/passagem.

Como ocidental – brasileira – é um desafio o contato com uma cultura diferente, muito mais suave e que carrega imagens diferentes dos quais estamos acostumados a usar aqui. O haicai éuma tentativa de me aproximar minimamente desse universo e venho experimentando caminhos desde 2003, mas tenho total consciência do abismo entre as culturas, das diferenças marcantes existentes entre ambas e das referências pessoais que me aproximam ou distanciam.

Mas o que une haicai, o butoh e a presença íntegra de um mestre como Yoshito é a singeleza, o espaço entre uma fala, um gesto no tempo e no ambiente. A relação íntima com os fenômenos da natureza. A capacidade de criar a partir da materialidade das coisas. A capacidade de imaginar a partir delas. O força das imagens.

A cada orientação do mestre Yoshito Ohno e em todo e qualquer exercício sugerido no encontro, tive uma certeza de que aquilo ficaria sempre dentro de mim, se transformando, se deslocando, mobilizando mas nunca esquecido.

Assim como o haicai, Yoshito traz imagens da natureza. Se baseia na materialidade da beleza da flor, da montanha, da brisa. A poética das memórias e das imagens na construção de uma dança que é manifestação do essencial. É mínima e máxima. É o máximo contido no mínimo gesto.

Reverberação poética. MA.

Me fez lembrar um trechinho do livro “Haicais de Bashô”, de Olga Savary, no qual tem a seguinte passagem que diz: “(…)uma flor é a primavera e uma folha morta é o outono ou todos os outonos”.

Fui para Ouro Preto para estudar. Para escutar o que outros artistas pensam a respeito de Corpo Político e das relações entre Dança e Política, Teatro e Política, Performance e Política. Além do presente de estar ali imersa nessa questão e trocando ideias com outras pessoas, recebi o imenso, único e imensurável presente que foi o encontro com Yoshito Sensei. E eis que todos nós que fizemos o seu workshop ainda fomos presenteados também com a seguinte surpresa: participar de seu trabalho Ventos do Tempo, que seria apresentado no dia seguinte,na Casa da Ópera (Teatro Municipal) de Ouro Preto…

Chegamos silenciosamente no horário marcado. Tiramos os sapatos. Assistimos Yoshito conversar com os técnicos de luz e som. Ele pediu que subíssemos no palco. Para cada uma de suas cenas, entraríamos com uma cena coletiva específica.

E recebemos suas orientações atentamente. Senti como se estivesse em outro tempo, em um entre-espaço… Aquele teatro, aquela presença, o aprendizado. E dançamos.

Dançamos com Yoshito Ohno. Dançamos com o Teatro. Com a cidade. Com as rochas. Com o céu. Com a tempestade. Com as memórias de quem construiu a cidade. Com as igrejas e as plantas.

Dançamos. E isso é história pra vida inteira.

Luciana Bortoletto

Fim de verão – 2013.

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Artista da dança, coreógrafa e intérprete, pesquisadora do movimento, professora e orientadora artística. Interessada no encontro da dança com lugares e contextos para além do palco, o profundo conhecimento do corpo via educação somática e a experiência com as linguagens poética e fotográfica na construção de outros modos de ver e viver o mundo. Cofundadora e diretora do …AVOA! Núcleo Artístico