Micro-resistências ou Pequena dança para crescer nos vãos

Como evidenciar relações de força e de poder presentes em um determinado lugar, onde o trânsito é predominante em detrimento da experiência do percurso?

Corpos em fricção com uma arquitetura, patrimônios materiais ou com outros corpos em um ambiente de grande circulação constroem que tipo de discurso?

Quanto tempo leva para um corpo em pausa estabelecer conexão com pessoas em trânsito?

O encontro do corpo com espaços da cidade por meio da ocupação de frestas, vãos, lugares que podem passar despercebidos tem como referencial poético plantas que brotam em fachadas, crescendo em ambientes aparentes inóspitos, são inspirações metafóricas nesta performance coreográfica que se propõe a uma experiência com o lugar de acontecimento, explorando o minimalismo como potência de fricção em grandes centros urbanos.

A poesia haicai é elemento propulsor na construção dessa trama com as camadas de um determinado espaço público: arquitetura, fluxos e tensionamentos das relações humanas, memória: imaginário e história. Assim como a poesia haicai, que possui três elementos fundamentais em sua estrutura formal: espaço, ação, reverberação, Micro-resistências ou Pequena dança para crescer nos vãos propõe um roteiro coreográfico que parte de um elemento permanente: Contexto de acontecimento (espaço/lugar); uma ruptura ou frição: Ação no contexto (a dança); Reverberação ou centelha poética (o que a performance gera enquanto imaginário e sensação nos pedestres).

Iniciadas em 2012, as micro-resistências são performances que ocorrem em espaço públicos de grande circulação de pessoas. Foi apresentado no Festival Internacional Visões Urbanas 2013 e em 2014 integrou o projeto Entre-espaços: relações possíveis no encontro com a rua, contemplado com o apoio de copatrocínio do Programa Municipal de Fomento à Dança. Desde então, vem se desenvolvendo com dramaturgia aberta, na relação direta com os lugares de acontecimento e imprevisibilidades.

A performance foi desenvolvida no centro histórico de São Paulo.

O trabalho possui uma versão na linguagem de videodança em parceria com Osmar Zampieri: https://www.youtube.com/watch?v=AtCV14DgH08

 

 

80 minutos – Livre

FICHA TÉCNICA

Concepção, direção artística/coreográfica: Luciana Bortoletto
Intérpretes-criadores: Mônica Caldeira, Izabel Uliana Martinelli, Rodrigo Rodrigues e Edi Cardoso

Performance sonora ao vivo: Luciana Bortoletto

 

Preparação Corporal: Luciana Bortoletto (dança e práticas somáticas), Luis Louis (teatro físico), Fabrice Ramalingom e Mônica Caldeira (Balé)

Produção e contraregra: Aline Grisa/ Bufa Produções
Assistência de produção: Felipe de Galisteo
Fotos Divulgação: Gil Grossi e Felipe Vieira de Galisteo

 

Apoios: Academia Activa Unidade São Bento, Associação Viva o Centro, Ateliê de Adriano Bechara, Centro de Referência da Dança de São Paulo, Cooperativa Paulista de Dança, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo

Integra o Projeto Vir-a-Ser – para Manutenção de pesquisa artística – contemplado com o 20º Fomento À Dança

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Artista da dança, coreógrafa e intérprete, pesquisadora do movimento, professora e orientadora artística. Interessada no encontro da dança com lugares e contextos para além do palco, o profundo conhecimento do corpo via educação somática e a experiência com as linguagens poética e fotográfica na construção de outros modos de ver e viver o mundo. Cofundadora e diretora do …AVOA! Núcleo Artístico

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